O exoplaneta se chama
Kepler 452b e faz parte do novo catálogo com 500 novos "candidatos".
Dentre eles, 12 têm raio menor que o dobro do raio da Terra e estão na
zona de habitabilidade de suas estrelas, 9 deles em órbita ao redor de
estrelas do mesmo tipo do Sol. Como já disse, todos os candidatos vão
precisar de confirmação posterior e os melhores telescópios da Terra vão
tentar fazer isso nos próximos anos.
O caso de Kepler 452b parece ser o mais
interessante da lista, então a equipe do Kepler já usou telescópios no
Arizona e no Havaí para confirmar que se trata mesmo de um planeta. Os
dados obtidos dão maiores detalhes sobre o exoplaneta, por exemplo, seu
diâmetro é 60% maior do que o da Terra, o que o faz dele uma ‘super
Terra’.
O exoplaneta leva 385 dias terrestres para
completar uma órbita, ou seja, o ano por lá dura 5% a mais que o nosso.
Lá onde? A estrela que hospeda esse exoplaneta se chama Kepler 452 e é
uma estrela do tipo espectral G, o mesmo tipo do Sol que está a 1.400
anos luz de distância, na constelação do Cisne. Mas a estrela é um tanto
mais evoluída, tem um bilhão de anos a mais que o nosso Sol e conforme
uma estrela evolui, sua luminosidade aumenta, ou seja, emite mais
radiação. Apesar de ter a mesma temperatura do Sol, seu diâmetro é 10%
maior e seu brilho 20% maior. Isso tudo combinado faz com que a
temperatura esperada na região onde o planeta está seja maior também.
Claro, temos que considerar que ele seja realmente rochoso e possua
atmosfera, o que não temos como saber por enquanto.
Por que a dúvida sobre a composição do planeta?
Ele não é mesmo rochoso? As estatísticas dos exoplanetas confirmados
mostram que a pelo menos metade dos exoplanetas que são maiores que a
Terra, nessa proporção de 60%, são na verdade gasosos. Mas dadas todas
as evidências combinadas, é bem provável que ele seja mesmo rochoso.
De qualquer maneira, trata-se do primeiro candidato
sério a planeta rochoso na zona habitável de uma estrela parecida com o
Sol. Na verdade, o cenário mais se parece com o que a Terra vai
vivenciar daqui um bilhão de anos, com a evolução do Sol, que também vai
inflar e brilhar mais. Douglas Caldewell, astrônomo do Instituto SETI
envolvido com a descoberta chama Kepler 452b de ‘prima mais velha da
Terra’. Com tanta similaridade, o mesmo SETI já apontou suas antenas
para a estrela, tentando captar alguma transmissão suspeita, mas nada
foi detectado até agora. Outros rádio telescópios devem aderir a essa
campanha em breve.
Ainda não foi dessa vez que apareceu uma gêmea da
Terra, mas a descoberta de uma prima mais velha, no local adequado
mostra que estamos caminhando bem. Em breve, a foto da família vai
melhorar e o próximo passo vai ser procurar por indícios de vida.